Parte do coletivo Soylocoporti

Cultura, comunicação e integração latino-americana

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domingo, 17 de junho de 2012

Imagens do II FMML

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O II Fórum Mundial de Mídia Livre ocupou a UFRJ nos dias 16 e 17 de junho para debater e construir propostas em torno de uma outra comunicação possível. Participaram midiativistas, coletivos e movimentos sociais da América Latina, Canadá, China, Europa e África.

Imagens por Michele Torinelli

IMG 9239 Imagens do II FMML
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Imagens da marcha de abertura

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Fórum Social Temático. Porto Alegre, 24 de janeiro de 2012.

Por Michele Torinelli.

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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Queremos o Conselho Estadual de Cultura!

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Manifestantes seguiram da praça Santos Andrade à Secretaria Estadual de Cultura nesta quinta (16)

Por Michele Torinelli

dsc 0152 1024x680 Queremos o Conselho Estadual de Cultura!

“Chega de bobeira, chega de firula, queremos o Conselho Estadual de Cultura” – com essa reivindicação, representantes da classe artística paranaense e da cultura popular percorreram o centro de Curitiba nessa quinta (16).

O Paraná figura entre os três únicos estados do país que não possuem conselho estadual de cultura, ao lado de Minas Gerais e Rondônia. Recentemente o Ministério da Cultura chamou a atenção desses estados, sendo que a existência do conselho é premissa para que recebam verba do Plano Nacional de Cultura, segundo o qual 2% do PIB nacional será destinado à cultura (os estados e municípios que aderirem devem repassar 1,5% e 1% para para a área, respectivamente).

Outra reivindicação do movimento cultural do Paraná é que seja assinado o convênio estadual do programa cultura viva, cumprindo a promessa de implantação de 70 pontos de cultura no estado.

dsc 0519 1024x680 Queremos o Conselho Estadual de Cultura!

Os grupos Voa Voa Maracatu Brincante e Estrela do Sul animaram a manifestação

Além da pauta política, o ato contou com teatro de bonecos e maracatu. Como a secretária de cultura do estado, Vera Mussi, não estava presente no momento em que os manifestantes chegaram à secretaria, incumbiu-se uma comissão responsável por protocolar as reivindicações populares. Os documentos foram entregues à secretaria, à Assembleia Legislativa e ao governador do Paraná.

Confira outras imagens aqui.

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

9ª Jornada de Agroecologia: por uma outra produção de alimentos

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Michele Torinelli e Pedro Carrano

de Francisco Beltrão

Imagens: Michele Torinelli

img 4152 9ª Jornada de Agroecologia: por uma outra produção de alimentos
Momento da marcha de abertura da jornada

“O alimento saudável é o remédio para as doenças”, frase do caminhão de som.

Depois de anos sem realizar marcha de abertura, seja pelo tempo chuvoso ou por ameaças de repressão, a Jornada de Agroecologia deste ano levou milhares de militantes às ruas de Francisco Beltrão. “A marcha é uma forma de se apresentar para a sociedade como um todo. Se ficamos isolados não expressamos nosso pensamento”, aponta Avelino Callegari, secretário da Assessoar – Associação de Estudo, Orientação e Assistência Rural, entidade que atua em 18 municípios do sudoeste do Paraná.

Atualmente, Francisco Beltrão é um território de expressão do agronegócio, na produção de carne e frango, por meio do conhecido sistema de “integração”. As empresas têm sistema de contrato da família camponesa, subordinada a este processo de exploração da renda da terra, como explica José Maria Tardin, da coordenação da Jornada.

Neste contexto, famílias assinam contratos diretamente com grandes corporações. “Subordinadas a um pacote e a um padrão de tecnologia, o que gera endividamento permanente, a família passa a ter um padrão de entrega de mercadoria, sem qualquer capacidade de influir nos preços, seja dos insumos, seja da mercadoria. Um esquema de servidão moderno, no qual as famílias camponesas têm um vinculo total dos preços, são proprietárias ou arrendatárias, mas o produto é completamente alienado. A jornada marca este momento de combate e de tensionamento”, define.

Outro eixo importante da Jornada, colocado na ordem do dia no debate atual, é a dimensão do uso de fertilizantes no Brasil, hoje o maior consumidor mundial do produto, situação diretamente ligada à perspectiva neoliberal na agricultura. “Com a transgeníase, as empresas encontram uma maneira de, via sementes, impor um padrão tecnológico, o que inclui os agrotóxicos de forma determinante. Hoje, 75% das sementes transgênicas estão desenvolvidas para determinado agrotóxico, trata-se de um nível de vinculação através da semente que antes estas empresas não conseguiam”, explica.

A necessidade de diálogo com a população para a construção de alternativas incita a organização de atividades públicas como essa. Para Callegari, a marcha podia acontecer todos os dias, expandir para instituições de ensino, religiosas e poder público.

Alternativa agroecológica

De acordo com Luiz Perin, dirigente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf), a escolha de Francisco Beltrão como sede da jornada pela segunda vez consecutiva se deve à organização dos movimentos na região e ao intenso desenvolvimento da produção agroecológica. “Aqui estão sendo construídas alternativas de sustentabilidade, o que implica o respeito à natureza e a produção de alimento limpo, favorecendo a saúde humana”, contextualiza.

img 4212 9ª Jornada de Agroecologia: por uma outra produção de alimentos
Luiz Perin, dirigente da Fetraf

Perin defende que formas sustentáveis de cultivo agregam valor à agricultura familiar, gerando renda para as famílias ao invés de financiar o agronegócio. “A jornada serve para mudar, porque tem muitas famílias que não utilizam a agroecologia”, defende Anselmo Rodrigues Santos, agricultor integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).

Somatória de organizações

Paulo de Souza, da região de Capanema, é um dos representantes das diferentes organizações do campo presentes no encontro. Membro de uma rede de cooperativismo de crédito, que agrega 78 cooperativas e cerca de 80 mil famílias, o dirigente enxerga na agroecologia a saída para o temário do desenvolvimento sustentável.

Além de camponeses, o encontro conta com diversos estudantes. Thomas Parrili, estudante de Agronomia, acredita que a jornada é um importante momento para reunir experiências de agroecologia de todo estado.

Contexto Histórico

A Jornada de Agroecologia geralmente é organizada em locais onde há um contexto de enfrentamento de projetos. Foi assim nas edições na cidade de Cascavel, em meio ao conflito com a empresa transnacional suíça Syngenta Seeds, acusada de diversos crimes de contaminação do ambiente pelos transgênicos.

Francisco Beltrão, por sua vez, é uma região com tradição histórica de resistência, desde o capítulo de 1957 conhecido como a “Revolta dos Colonos”. Nos anos 1970, foi o palco do surgimento dos movimentos de luta pela terra e na década de 1980 assistiu ao nascimento do sindicalismo combativo na região. “O sudoeste também se colocou como pioneiro no que se chamava de agricultura alternativa e logo depois se expressa como agroecologia. É uma região pioneira na luta e na combatividade”, comenta José Maria Tardin, da coordenação da Jornada.

Construtores da Jornada

img 4252 9ª Jornada de Agroecologia: por uma outra produção de alimentos
“Chocolate”, militante e poeta do MST

Ariulino Alves Morais, o “Chocolate”, militante e poeta do MST desde o surgimento, esteve em oito das nove edições da Jornada de Agroecologia. Enxerga o debate do encontro dentro de um momento de transição para a produção camponesa. Fora da agroecologia, os pequenos agricultores sofrem com a inviabilidade do antigo modelo. “É um momento histórico, quase uma transição de projeto de governo, esses eventos culturais são importantes, senão fica só no momento, é preciso continuar a organização, é preciso levar aos governos nossos projetos como projeto de agricultura, mas tem que ser no conjunto das organizações”, afirma.

A agroecologia passa a ser um ponto de refúgio para o pequeno agricultor, uma vez que as condições de mercado inviabilizam sua produção, no depoimento de Chocolate. “O pessoal está habituado ao pacote e logo se frustra, porque o preço está lá embaixo e a produção é pouca, os custos de produção. Houve uma transição forçada para a agroecologia”, pondera.

Veja mais sobre a Jornada de Agroecologia aqui

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Conferência Municipal de Cultura

Realizou-se nesse último sábado, 19/09, a etapa municipal da II Conferência de Cultura. Foram discutidas as políticas públicas de cultura e encaminhadas estratégias para a Fundação Cultural de Curitiba e para as etapas estadual e nacional da conferência.

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Plenária de abertura da II Conferência Municipal de Cultura.

“Muita gente morre de ditadura, mas nunca vi ninguém morrer de democracia”, declarou João Ribeiro, representante do Ministério da Cultura (MinC), na plenária de abertura da II Conferência Municipal de Cultura, realizada no Memorial de Curitiba. Segundo o regimento, nas plenárias inicial e final os participantes teriam direito à voz somente por escrito. Após a circulação de abaixo-assinado contra essa postura e manifestações de representantes da sociedade civil, definiu-se que a palavra estaria aberta na plenária final.

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João Ribeiro, do MinC, em conversa com representantes da sociedade civil.

As inscrições para a etapa municipal foram disponibilizadas somente por internet, mas devido ao baixo número de participantes, permitiu-se a inscrição no local. Estiveram presentes representantes do poder público, das classes culturais e da sociedade civil como um todo para discutir as políticas públicas de cultura, principalmente na esfera municipal. “Há questões na cidade que precisam ser garantidas por força de lei, que não são plenamente contempladas por editais”, afirmou Paulino Viapiana, presidente da Fundação Cultural de Curitiba.

Produção colaborativa

À tarde, os participantes trabalharam em Grupos de Discussão (GDs), divididos em 5 eixos temáticos: “Produção simbólica e diversidade cultural”, “Cultura, cidade e cidadania”, “Cultura e desenvolvimento sustentável”, “Cultura e economia criativa” e “Gestão e institucionalidade da cultura”. Cada eixo elegeu um delegado, com exceção do eixo “Cultura, cidade e cidadania”, que, por possuir maior número de participantes, elegeu dois delegados.

Cada GD definiu 10 estratégias: 2 de âmbito nacional, 2 de âmbito estadual e 2 de âmbito municipal para serem encaminhadas à etapa estadual, somando-se às 4 direcionadas exclusivamente à Fundação Cultural de Curitiba. “Tiramos leite de pedra”, acredita Érico Massoli, do Coletivo Soylocoporti e do Fórum Paranaense Pró-Conferência de Cultura. “As inscrições, somente por internet, foram restritivas, além do que 1 dia para discussão é muito pouco. As pessoas não participaram porque não houve divulgação efetiva. Contudo, os resultados foram gratificantes, no que se refere à escolha dos delegados e às políticas aprovadas, apesar das circunstâncias”, conclui.

Os delegados e suplentes eleitos por eixo foram:

Produção simbólica e diversidade cultural
Renato Paulo Carvalho – Titular
Michele Caroline Torinelli – Suplente

Cultura, cidade e cidadania
Loana Campos – Titular
Hany Lissa Morgenstern – Titular
Oilson Antônio Alves – Suplente

Cultura e desenvolvimento sustentável
Gustavo Roberto Gaio – Titular
Claudia Terezinha Washington – Suplente

Cultura e economia criativa
Teo Ruiz – Titular
Roberta Schwambach – Suplente

Gestão e institucionalidade da cultura
Marila Anibelli Vellozo – Titular
Oswaldo Aranha – Suplente

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sábado, 15 de agosto de 2009

Ato do Dia Nacional de Lutas reúne mais de dois mil trabalhadores paranaenses

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Organizações sociais de Curitiba e Região Metropolitana mobilizam-se pela defesa de direitos trabalhistas e contra as demissões justificadas pela crise.

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Manifestantes partem da Praça Santos Andrade com destino à Boca Maldita.

Nesta sexta-feira, 14 de agosto, centrais sindicais, entidades e movimentos sociais saíram às ruas de Curitiba. O ato iniciou-se com concentração na Praça Santos Andrade, seguida de passeata com destino à Boca Maldita. Mais de duas mil pessoas unificaram reivindicações e deixaram claro que o trabalhador não vai pagar pela crise. As mobilizações, ocorridas em 12 capitais brasileiras, integram a Jornada Nacional de Lutas.

 Ato do Dia Nacional de Lutas reúne mais de dois mil trabalhadores paranaenses Ato toma as ruas de Curitiba.

Em meio a música, teatro e outras atividades culturais, diversos setores pronunciaram-se em defesa de uma sociedade que priorize os direitos humanos. “Reunimos todas as forças populares e mostramos que a esquerda está fortalecida na sociedade brasileira. Foi um dia de luta e de protestos contra a burguesia e o capitalismo, que nada mais é que a sociedade da exploração, e esse modelo não serve para nós trabalhadores”, esclareceu Roberto Baggio, membro da coordenação estadual do Movimento do Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

As manifestações integradas se justificam pela divisão das perdas num sistema que monopoliza lucros. “O povo não é o culpado pela crise. Ela é resultado de um sistema que entra em crise periodicamente e transforma o planeta em uma imensa ciranda financeira, com regras ditadas pelo mercado. Diante do fracasso desta lógica excludente, querem que a Classe Trabalhadora pague pela crise”, aponta carta da Comissão Nacional de Organização da Jornada.

Interlocução entre reivindicações trabalhistas e a luta pela democratização da comunicação

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Anderson Moreira, pela CPC/PR, entrevista André Castelo Branco, do Sindicato dos Bancários.

A Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação (CPC/PR) agregou a questão da democratização da comunicação à Jornada, tendo em vista a repressão exercida pela mídia comercial aos movimentos sociais e a realização da I Conferência Nacional de Comunicação, cuja etapa nacional está prevista para dezembro.

Érico Massoli, do Coletivo Soylocoporti e da CPC/PR, acredita que ações unitárias colaboram na congregação do campo social. “A direita se une com extrema facilidade, no teor do capital, mas a esquerda ultimamente tem perdido essa capacidade de dialogar com os próximos em busca de uma força ainda maior. Hoje isso foi possível”, ponderou.

Reivindicações para enfrentar a crise e suas conseqüências – carta da Comissão Nacional de Organização da Jornada

• Fim das demissões
• Ratificação das convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
• Fim do superávit primário
• Redução das taxas de juros
• Redução da jornada sem redução de salário
• Manutenção e ampliação dos direitos sociais e trabalhistas
• Reforma agrária e reforma urbana
• Fim do fator previdenciário
• Petrobrás e riquezas do pré-sal sob controle do povo
• Saúde, educação e moradia
• Uma lei que proíba as demissões em massa
• Continuidade da valorização do salário mínimo
• Solidariedade internacional aos povos em luta no mundo todo
• Contra o latifúndio dos meios de comunicação
• Contra a privatização dos serviços postais

Comissão Nacional de Organização da Jornada:
CGTB, CTB, CUT, Força Sindical, NCST, UGT, Intersindical, Assembléia Popular, Cebrapaz, CMB, CMP, CMS, Conam, FDIM, Marcha Mundial das Mulheres, MST, MAB, MTL, MTST, MTD, OCLAE, UBES, UBM, UNE, Unegro/Conen, Via Campesina, CNTE, Círculo Palmarino.

Fontes:
• http://terrasimbarragemnao.blogspot.com/2009/08/jornada-nacional-de-luta-dos.html
• http://www.cutpr.org.br/noticia.php?id=3238

Fotos: Michele Torinelli

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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Comunidade quilombola apresenta “Encanto das Três Raças”

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Por Michele Torinelli

Atividades de resgate cultural e desenvolvimento artístico na comunidade quilombola Paiol de Telha, em Guarapuava, resultam em apresentação de artes cênicas, música e dança.

dsc 0197 230x152 Comunidade quilombola apresenta  Encanto das Três Raças

Apresentação do Kundun Balê na Unicentro.

O Instituto Afro Brasileiro Belmiro de Miranda estreiou o espetáculo Encanto das três raças, inspirado no sincretismo cultural brasileiro. A apresentação aconteceu no auditório da Unicentro, na cidade de Guarapuava, no dia 19 de junho – em setembro será a vez de Curitiba.

O trabalho é fruto de uma parceira entre a Assema – Associação Espiritualista Mensageiros de Aruanda, formada por umbandistas residentes em Curitiba que desenvolvem a espiritualidade

dsc 0337 230x152 Comunidade quilombola apresenta  Encanto das Três Raças

Coreografia inspira-se em sincretismo das festas juninas.

afro-brasileira com a comunidade quilombola; o grupo artístico Mandorová, de Guarapuava; e a Companhia de Música e Dança Afro Kundun Balê, formada por jovens da comunidade quilombola Paiol de Telha. A companhia é coordenada por Orlando Silva, diretor do espetáculo.

O Soylocoporti aceitou o convite feito pela Assema para assitir a apresentação na sexta-feira e passar o fim de semana no Paiol de Telha. A experiência terá como resultado um documentário, a ser elaborado pelo coletivo, abordando a realidade da comunidade e a importância do trabalho de resgate cultural e autodeterminação.

O espetáculo

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Grupo Mandorová explora as relações entre cristianismo e paganismo no "Encanto das três raças".

A mistura do catolicismo e do espiritismo com religiões afro e com a pajelância, o candomblé e a umbanda, é o enfoque do Encontro das três raças, o terceiro espetáculo apresentado pelo Kundun Balê. “A gente veio sendo preparado ao longo dos três anos que o grupo existe, adquirimos experiência, o que agilizou os nossos ensaios, desde o começo do ano para cá”, afirma Isabela Cruz (Anaxilê), uma das integrantes da companhia. O cenário, feito artesanalmente, foi criado pelo artista plástico Alex Kua, e quem assina o figurino é Marcio Ramos. Ambos são integrantes do Grupo Mandorová.

O espetáculo trabalha com as energias naturais e com os Orixás, envolvendo percursão, teatro e dança. “Foi bem gratificante mostrar algumas coisas sobre a umbanda no palco porque tem muita gente que não conhece e não procura conhecer, exemplo disto é que os 100 anos da religião passou meio batido no Brasil”, lembra Patrícia Oliveira, membro da Assema.

Comunidade Quilombola Paiol de Telha

Localizada a 30 km da cidade de Guarapuava, a comunidade trava inúmeras batalhas na luta pela terra e pela garantia de seus direitos, através da resistência política e cultural. As terras foram herdadas por escravos no século XIX – a proprietária era viúva e não tinha filhos. Porém, com a colonização alemã e o desenvolvimento econômico da região, a comunidade teve suas terras griladas, e essa disputa continua até hoje.

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Vista da cozinha do centro cultural da comunidade.

A comunidade é excluída de políticas públicas. Há pouco tempo conquistaram o transporte escolar – até então as crianças tinham que andar 2 km até o ponto de ônibus. Os universitários, que conseguiram bolsa de estudos em Guarapuava, não têm acesso a transporte noturno, o que os força a caminhar os 6 km de estrada de chão até o Paiol de Telha. Devido a esse problema, alguns deles trancaram o curso. “Nossas crianças custam muito pouco para o governo. Não consomem drogas, não perambulam pelas ruas da cidade. Elas estão aqui, estudando, dançando e representando Guarapuava pelo Paraná afora e não há esse reconhecimento. Isso nos causa revolta, porque em tempos de eleições a nossa comunidade passa a existir no mapa do município porque somos eleitores”, afirma a líder comunitária Ana Maria Alves da Cruz Oliveira.

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A comunidade é repleta de belezas naturais.

Alguns moradores são agricultores, outros trabalham na cidade ou participam de projetos. Há dois em andamento: um deles envolve as oficinas e espetáculos; outro o turismo cultural. Porém, o financiamento continua sendo um grande obstáculo a ser vencido pelo instituto. Muito do necessário é fornecido por amigos, que doaram, por exemplo, parte do material para a sede do centro cultural da comunidade, construído recentemente.

Há muita vegetação, plantações, córregos e cachoeiras no Paiol de Telha. Cerca de 65 famílias moram na comunidade – outras estão acampadas na beira da estrada que contorna parte da terra que pertence a eles e que não lhes foi devolvida.

Cultura e espiritualidade

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Representação dos ciganos no espetáculo "Encanto das três raças".

“O ritmo, o canto, a dança, os usos e costumes, na maioria das vezes, passam despercebidos e desconhecemos a riqueza dos vários brasis. A falta de conhecimento que tem como principal causa o preconceito, por exemplo, faz o brasileiro jogar no ostracismo o fato do Brasil ter uma religião essencialmente nacional, que nasceu pela junção das crenças dessas três raças”, explica o educador e percussionista Orlando Silva, referindo-se aos indígenas, europeus e africanos.

O encontro da Assema com o Kundun Balê deu-se numa comemoração do centenário da umbanda.“Tenho uma inquietude com a falta de interesse pelos 100 anos do surgimento da umbanda no Brasil, que foi em 2008. Quase ninguém tocou nesse assunto, a não ser em um evento realizado pela Associação Espiritual Mensageiros de Aruanda que fez um encontro na Ópera de Arame e no qual o Kundun foi a atração”, afirma Orlando Silva. “Foi amor à primeira vista com essas crianças e adolescentes”, conta Michelle Margotte, da Assema. No Encanto das três raças, integrantes da associação de umbanda participam tocando e dançando.

Parceiros e agenda

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Emocionados, participantes comemoram ao final da estréia.

O espetáculo faz parte do projeto Herança Cultural, que integra o sub-programa Diálogos Culturais, proposto pela Fundação Rureco, sob a responsabilidade da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). A iniciativa conta com apoio da Unicentro, Tribuna, Rede Sul de Notícias, Goes&Periolo, Tevê Câmara-Canal Legislativo e Tevê Educativa do Paraná.

Próximas apresentações:

Curitiba – 11 de setembro – Canal da Música
Curitiba – novembro – Teatro Guaíra

Algumas informações e depoimentos dessa matéria foram tirados do blog do Kundun Balê e da Rede Sul de Notícias.

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sábado, 27 de junho de 2009

Inti Raymi – solsístio de inverno em Buenos Aires

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 Por Júlia Basso Driesen

Sábado, dia 21 de junho, ocorreu a grande comemoração do Solstício de Inverno, realizada por grupos de povos andinos e simpatizantes dos costumes e das causas indígenas. A festa foi documentada pelo Coletivo Soylocoporti – o documento final será produto da parceria estabelecida entre o coletivo e companheiros argentinos.

A comemoração do ano novo dos povos originários, Solstício de Inverno, representa a mudança de um ciclo da natureza em que a noite mais longa do ano encerra uma etapa, e a partir de então os dias vão se alargando. A festa mostra a cosmologia indígena, que trata o tempo de outra forma, e as relações interpessoais também.

intiraymi sikuris 230x152 Inti Raymi   solsístio de inverno em Buenos Aires

Roda de sikuris (músicos tradicionais).

O evento começou na noite de 21 de junho e se prolongou até a manhã seguinte. A noite é repleta de fogueiras para aquecer, esquentar a bebida e fazer a comida, partilhada por todos; há barracas para descanso e bandas de sikuris – grupos que tocam as quenas e os tambores – que se revezam em distintas rodas, cantando e dançando com a alegria da passagem do ano. Após os bailados dos sikuris, é o momento de cada roda fazer seus agradecimentos e pedidos para o novo ano que se inicia, realizando oferendas que são, então, levadas para uma grande fogueira comunitária. Todos se reúnem ao redor desta fogueira e alguns realizam discursos, cada um com um foco (político, espiritual, cultural etc) e esperam a vinda do sol. Ao amanhecer todos se voltam para o sol, erguem suas mãos como forma de captar a energia da vida, e reverenciam o grande Pai Sol.

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Participantes do Inti Raymi se reúnem em volta da fogueria.

Interessante perceber a comemoração do Inti Raymi em uma cidade como Buenos Aires, que não segue oficialmente o calendário mapuche. Esse evento proporciona a reflexão sobre a migração latino-americana (mais especificamente peruana e boliviana), e a situação dos migrantes residentes na metrópole.

O Soylocoporti esteve presente em todo o evento: pudemos participar dos rituais e conversar com indígenas – que discutem a situação dos migrantes em grandes centros, e também com não-indígenas – que lutam pela equalização dos direitos efetivos, e de melhores condições aos indígenas. Teremos como resultado final desta experiência um produto áudiovisual, fruto do trabalho com parceiros identificados na própria festa.

Os dias seguidos ao Inti Raymi foram dias de reflexão, discussão, organização e fechamento de parcerias entre os membros que participaram da comemoração e documentaram de alguma forma o evento.

No domingo assistimos os vídeos e conversamos muito sobre o que fazer com o material colhido durante a estada em Buenos Aires – o que a festa representou para cada um, as impressões e reflexões, qual linha de atuação seguir e quais possíveis colaboradores poderíamos buscar para um futuro trabalho.

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Integrantes do Soylocoporti conversam com diretor da escola onde o Inti Raymi é celebrado.

Segunda-feira, nosso último dia na capital argentina, fomos primeiramente registrar o Inti Raymi realizado em uma escola municipal, que traz às crianças estudos de temas centrais sobre as questões dos povos originários (as histórias, as crenças, os costumes, a situação atual etc). Conversamos muito com o diretor, que colocou a importância do estudo de temas que fazem parte da realidade dos alunos, para que estes possam entender com mais clareza o que é ser latino-americano, e lidar com questões cotidianas com maior relativização e compreensão.

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Celebração do Inti Raymi para crianças.

Após o Inti Raymi infantil, fomos à reunião com um dos representantes do coletivo COCOBO (Cordinadoria de la Colectividad Boliviana), responsável pela realização do Inti Raymi em Buenos Aires. Propomos o início de uma parceria entra as duas instituições, que se daria, primeiramente, a partir da produção audiovisual do material captado pelo coletivo Soylocoporti referente ao Solstício de Inverno, a ser editado e produzido por membros dos dois coletivos. A proposta foi aceita e a reunião bem sucedida, dando início a mais uma parceria latino-americana entre organizações que lutam por um mesmo fim, buscando fortalecer os laços de cooperação e solidariedade entre os países irmãos.

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sábado, 20 de junho de 2009

Associações culturais de Buenos Aires

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Por Júlia Basso Driesen

Já é nosso segundo dia na cidade, o frio apaziguou e pudemos sair de casa sem temer tanto o vento gelado.

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O amigo Diego, o qual também é nosso anfitriao, na distribuiçao do jornal Hecho en BsAs.

O dia foi bem produtivo, além de conhecermos vários bairros diferentes, suas ruas e seus aspectos peculiares, fomos, junto a Pablo, conhecer algumas das instituições em que ele trabalha.

A primeira parada foi na sede da revista Hecho en Buenos Aires. Ficamos todos impresionados com a dinâmica de funcionamento do veículo, pois não são simplesmente jornalistas, editores e fotógrafos que trabalham na redação, mas também, e principalmente, os vendedores da Hecho en Buenos Aires.

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Escola de circo Trivenchi. Está com risco de fechamento pela autoridade municipal comandada pelo governador de direita Mauricio Macri.

 

 

A revista se propõe a um trabalho de base junto aos vendedores, que são todos ambulantes (mas têm um cadastro oficial na revista para receber serviços de atenção). Eles ficam com a maior parte da renda da venda da revista - a Hecho en Buenos Aires custa 3 pesos argentinos e destes 2,10 pesos vão para o vendedor. Além disso, existe um calendário na sede, com os horários de aulas de inglês, espanhol, oficinas artísticas, dentre outros, oferecidas aos vendedores gratuitamente. Portanto, além de uma revista, trata-se de um projeto de transformacão social que visa a capacitação de atores marginalizados que vêem na Hecho uma possibilidade de subsistência e desenvolvimento pessoal através de arte, estudo e interação com companheiros que freqüentam o lugar. O interessante é que a Hecho en Buenos Aires é uma autêntica iniciativa de mídia livre, pois transcende o conceito da “especialidade” da comunicação para torná-la um instrumento de emancipação das pessoas envolvidas.

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Associaçao Resplendor del Sur em oficina de dança chacarera.

Saindo da sede da revista, caminhamos mais um tanto e entramos no galpão da Associação Resplendor del Sur. O local estava cheio de crianças, mulheres e homens em atividade –  trabalhando, lendo, costurando, conversando e correndo de um lado para o outro. A iniciativa atende cerca de 400 pessoas da comunidade, servindo almoço e disponibilizando aulas e oficinas durante o dia todo, além de contar com uma biblioteca. Todos foram muito amáveis conosco, tendo conversado, respondido às nossas perguntas e permitido que assistíssemos algumas oficinas oferecidas por voluntários.

Em seguida partimos novamente para casa, pois a noite já caía há tempos e precisávamos de uma boa dormida, já que o Inti Raymi nos aguarda.

Buenos Aires, 19 de junho de 2009.

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sábado, 20 de junho de 2009

Encontros em Buenos Aires

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Casa em que estamos alojados e antiga sede de distribuição da revista Hecho en Buenos Aires.

Ontem, os membros do Soylocoporti Marco Antônio Konopacki, Gustavo Guedes de Castro e Júlia Basso Driessen, desembarcaram em Buenos Aires para cinco dias de atividades com outro companheiro do coletivo, Pablo Mardones. Nestes dias, pretendemos nos reunir com pessoas e centros culturais e participar de atividades promovidas por eles. A principal delas é o Inti Raymi, a comemoração do ano novo para as nações andinas. Este evento é organizado pelo coletivo COCOBO (Cordinadoria de la Colectividad Boliviana), frente que congrega diversas organizações de defesa dos direitos dos povos originários.

 

 

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Cartazes em Buenos Aires incentivam a abstenção de voto.

Estamos alojados na casa do Pablo, antiga sede da revista Hecho en Buenos Aires, veículo comunitário direcionado à população de rua da capital argentina. Na chegada, o que mais chamou a atenção é que a Argentina inteira está em processo eleitoral para as legislaturas  municipais, provinciais e federal. “O processo está sendo muito duro, pois os partidos de direita, assim como os de esquerda, estão tendo posições muito agressivas uns com os outros e o debate político está ficando em segundo plano”, afirma Pablo Mardones. Segundo ele, o conjunto dos movimentos sociais deve se abster do processo e está convocando a população a não votar, por conta do quadro em que se coloca a disputa.

 

Aproveitamos o resto do dia após a viagem para resolver algumas coisas pessoais (chegamos ontem às 17h na casa de Pablo) e hoje teremos uma agenda com dois coletivos culturais.

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