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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Assassinatos em Quilombo geram protesto em Porto Alegre

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Comunidades quilombolas e representantes de entidades e da Câmara de Vereadores protestaram na manhã desta segunda-feira (08) em Porto Alegre por mais agilidade na investigação da morte de duas lideranças. Na última quinta-feira (04), os irmãos Joelma e Volmir da Silva Ellias foram assassinados a tiros na área do Quilombo dos Alpes, onde moravam. Jô e Guinho, como eram conhecidos, eram lideranças na comunidade e integravam a diretoria da associação do quilombo.

Uma terceira vítima, Rosangela da Silva Ellias, a Janja, presidente da associação, também foi ferida mas sobreviveu. A reportagem é de Raquel Casiraghi e publicada pela Agência de Notícias Chasque, 08-12-2008. O advogado Onir Araújo relata que há pelo menos um ano as famílias registravam ocorrência policial contra Pedro Paulo Back, acusado pelos assassinatos. A última ocorrência foi no domingo, dia 30 de Novembro, depois de Back dar tiros no ar e ameaçar “acabar” com os quilombolas. Segundo as famílias, a Brigada Militar esteve no local mas não tomou nenhuma providência alegando que Back era vigilante e tinha porte de arma.
“Nós chegamos à conclusão de que tínhamos que acompanhar [a investigação policial] porque foi um descaso total. A comunidade ficou completamente a mercê da sanha desse assassino. A comunidade já tinha feito várias ocorrências, inclusive anteriores aos assassinatos, e nenhuma medida foi tomada”, reclama. Após assassinar os dois irmãos na quinta-feira, o vigilante voltou ao Quilombo dos Alpes neste final de semana à procura de Janja. Testemunhas relatam que ele esteve na casa da presidente da associação dizendo que “precisava terminar o trabalho que havia começado”, mas foi embora depois que não a encontrou.  Os motivos ainda não foram esclarecidos, mas os quilombolas acreditam que as mortes tenham sido motivadas por disputas de grilagem pela área. Back foi acolhido pela comunidade há dez anos, quando chegou no local sem ter onde morar. No entanto, à medida que o processo de titulação da área quilombola foi avançando, principalmente a partir de 2005, o vigilante iniciou a disputa pela área, trazendo outras pessoas para morar ilegalmente no local.
O vereador Guilherme Barbosa (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, suspeita até mesmo de motivação por questões imobiliárias. Para ele, os assassinatos de duas lideranças não são um fato isolado.

“Como já tivemos notícia no início deste ano no Quilombo Silva, de um assassinato lá dentro, que aparentemente não teria nada a ver, e agora com os assassinatos no Alpes e com problema no  Guaranha, estamos preocupados de que ocorra uma movimentação de disputa por terra. São áreas de boa dimensão para espaço urbano e, portanto, isso pode estar acontecendo”, avalia. No protesto no Palácio da Polícia, na Capital, os quilombolas exigiram que a Delegacia de Homicídios e Desaparecidos encaminhe a prisão preventiva do acusado, que já está identificado desde os assassinatos. Um grupo também foi à Polícia Federal pedir a proteção da área, que por ser um quilombo pertence à União, e à Secretaria Estadual de Segurança Pública, exigir escolta policial às famílias. O Quilombo dos Alpes é composto por 74 famílias e fica no Bairro Glória, zona Leste da Capital. Estudos apontam que a comunidade já vive no local há 160 anos.

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