Parte do coletivo Soylocoporti

Cultura, comunicação e integração latino-americana

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sábado, 27 de junho de 2009

Inti Raymi – solsístio de inverno em Buenos Aires

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 Por Júlia Basso Driesen

Sábado, dia 21 de junho, ocorreu a grande comemoração do Solstício de Inverno, realizada por grupos de povos andinos e simpatizantes dos costumes e das causas indígenas. A festa foi documentada pelo Coletivo Soylocoporti – o documento final será produto da parceria estabelecida entre o coletivo e companheiros argentinos.

A comemoração do ano novo dos povos originários, Solstício de Inverno, representa a mudança de um ciclo da natureza em que a noite mais longa do ano encerra uma etapa, e a partir de então os dias vão se alargando. A festa mostra a cosmologia indígena, que trata o tempo de outra forma, e as relações interpessoais também.

intiraymi sikuris 230x152 Inti Raymi   solsístio de inverno em Buenos Aires

Roda de sikuris (músicos tradicionais).

O evento começou na noite de 21 de junho e se prolongou até a manhã seguinte. A noite é repleta de fogueiras para aquecer, esquentar a bebida e fazer a comida, partilhada por todos; há barracas para descanso e bandas de sikuris – grupos que tocam as quenas e os tambores – que se revezam em distintas rodas, cantando e dançando com a alegria da passagem do ano. Após os bailados dos sikuris, é o momento de cada roda fazer seus agradecimentos e pedidos para o novo ano que se inicia, realizando oferendas que são, então, levadas para uma grande fogueira comunitária. Todos se reúnem ao redor desta fogueira e alguns realizam discursos, cada um com um foco (político, espiritual, cultural etc) e esperam a vinda do sol. Ao amanhecer todos se voltam para o sol, erguem suas mãos como forma de captar a energia da vida, e reverenciam o grande Pai Sol.

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Participantes do Inti Raymi se reúnem em volta da fogueria.

Interessante perceber a comemoração do Inti Raymi em uma cidade como Buenos Aires, que não segue oficialmente o calendário mapuche. Esse evento proporciona a reflexão sobre a migração latino-americana (mais especificamente peruana e boliviana), e a situação dos migrantes residentes na metrópole.

O Soylocoporti esteve presente em todo o evento: pudemos participar dos rituais e conversar com indígenas – que discutem a situação dos migrantes em grandes centros, e também com não-indígenas – que lutam pela equalização dos direitos efetivos, e de melhores condições aos indígenas. Teremos como resultado final desta experiência um produto áudiovisual, fruto do trabalho com parceiros identificados na própria festa.

Os dias seguidos ao Inti Raymi foram dias de reflexão, discussão, organização e fechamento de parcerias entre os membros que participaram da comemoração e documentaram de alguma forma o evento.

No domingo assistimos os vídeos e conversamos muito sobre o que fazer com o material colhido durante a estada em Buenos Aires – o que a festa representou para cada um, as impressões e reflexões, qual linha de atuação seguir e quais possíveis colaboradores poderíamos buscar para um futuro trabalho.

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Integrantes do Soylocoporti conversam com diretor da escola onde o Inti Raymi é celebrado.

Segunda-feira, nosso último dia na capital argentina, fomos primeiramente registrar o Inti Raymi realizado em uma escola municipal, que traz às crianças estudos de temas centrais sobre as questões dos povos originários (as histórias, as crenças, os costumes, a situação atual etc). Conversamos muito com o diretor, que colocou a importância do estudo de temas que fazem parte da realidade dos alunos, para que estes possam entender com mais clareza o que é ser latino-americano, e lidar com questões cotidianas com maior relativização e compreensão.

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Celebração do Inti Raymi para crianças.

Após o Inti Raymi infantil, fomos à reunião com um dos representantes do coletivo COCOBO (Cordinadoria de la Colectividad Boliviana), responsável pela realização do Inti Raymi em Buenos Aires. Propomos o início de uma parceria entra as duas instituições, que se daria, primeiramente, a partir da produção audiovisual do material captado pelo coletivo Soylocoporti referente ao Solstício de Inverno, a ser editado e produzido por membros dos dois coletivos. A proposta foi aceita e a reunião bem sucedida, dando início a mais uma parceria latino-americana entre organizações que lutam por um mesmo fim, buscando fortalecer os laços de cooperação e solidariedade entre os países irmãos.

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sábado, 20 de junho de 2009

Associações culturais de Buenos Aires

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Por Júlia Basso Driesen

Já é nosso segundo dia na cidade, o frio apaziguou e pudemos sair de casa sem temer tanto o vento gelado.

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O amigo Diego, o qual também é nosso anfitriao, na distribuiçao do jornal Hecho en BsAs.

O dia foi bem produtivo, além de conhecermos vários bairros diferentes, suas ruas e seus aspectos peculiares, fomos, junto a Pablo, conhecer algumas das instituições em que ele trabalha.

A primeira parada foi na sede da revista Hecho en Buenos Aires. Ficamos todos impresionados com a dinâmica de funcionamento do veículo, pois não são simplesmente jornalistas, editores e fotógrafos que trabalham na redação, mas também, e principalmente, os vendedores da Hecho en Buenos Aires.

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Escola de circo Trivenchi. Está com risco de fechamento pela autoridade municipal comandada pelo governador de direita Mauricio Macri.

 

 

A revista se propõe a um trabalho de base junto aos vendedores, que são todos ambulantes (mas têm um cadastro oficial na revista para receber serviços de atenção). Eles ficam com a maior parte da renda da venda da revista - a Hecho en Buenos Aires custa 3 pesos argentinos e destes 2,10 pesos vão para o vendedor. Além disso, existe um calendário na sede, com os horários de aulas de inglês, espanhol, oficinas artísticas, dentre outros, oferecidas aos vendedores gratuitamente. Portanto, além de uma revista, trata-se de um projeto de transformacão social que visa a capacitação de atores marginalizados que vêem na Hecho uma possibilidade de subsistência e desenvolvimento pessoal através de arte, estudo e interação com companheiros que freqüentam o lugar. O interessante é que a Hecho en Buenos Aires é uma autêntica iniciativa de mídia livre, pois transcende o conceito da “especialidade” da comunicação para torná-la um instrumento de emancipação das pessoas envolvidas.

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Associaçao Resplendor del Sur em oficina de dança chacarera.

Saindo da sede da revista, caminhamos mais um tanto e entramos no galpão da Associação Resplendor del Sur. O local estava cheio de crianças, mulheres e homens em atividade –  trabalhando, lendo, costurando, conversando e correndo de um lado para o outro. A iniciativa atende cerca de 400 pessoas da comunidade, servindo almoço e disponibilizando aulas e oficinas durante o dia todo, além de contar com uma biblioteca. Todos foram muito amáveis conosco, tendo conversado, respondido às nossas perguntas e permitido que assistíssemos algumas oficinas oferecidas por voluntários.

Em seguida partimos novamente para casa, pois a noite já caía há tempos e precisávamos de uma boa dormida, já que o Inti Raymi nos aguarda.

Buenos Aires, 19 de junho de 2009.

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sábado, 20 de junho de 2009

Encontros em Buenos Aires

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Casa em que estamos alojados e antiga sede de distribuição da revista Hecho en Buenos Aires.

Ontem, os membros do Soylocoporti Marco Antônio Konopacki, Gustavo Guedes de Castro e Júlia Basso Driessen, desembarcaram em Buenos Aires para cinco dias de atividades com outro companheiro do coletivo, Pablo Mardones. Nestes dias, pretendemos nos reunir com pessoas e centros culturais e participar de atividades promovidas por eles. A principal delas é o Inti Raymi, a comemoração do ano novo para as nações andinas. Este evento é organizado pelo coletivo COCOBO (Cordinadoria de la Colectividad Boliviana), frente que congrega diversas organizações de defesa dos direitos dos povos originários.

 

 

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Cartazes em Buenos Aires incentivam a abstenção de voto.

Estamos alojados na casa do Pablo, antiga sede da revista Hecho en Buenos Aires, veículo comunitário direcionado à população de rua da capital argentina. Na chegada, o que mais chamou a atenção é que a Argentina inteira está em processo eleitoral para as legislaturas  municipais, provinciais e federal. “O processo está sendo muito duro, pois os partidos de direita, assim como os de esquerda, estão tendo posições muito agressivas uns com os outros e o debate político está ficando em segundo plano”, afirma Pablo Mardones. Segundo ele, o conjunto dos movimentos sociais deve se abster do processo e está convocando a população a não votar, por conta do quadro em que se coloca a disputa.

 

Aproveitamos o resto do dia após a viagem para resolver algumas coisas pessoais (chegamos ontem às 17h na casa de Pablo) e hoje teremos uma agenda com dois coletivos culturais.

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